A performance “731 são Doze" (espaços não convencionais/ cerca de 150 min.) suspende o assoalho antigo da casa para uma nova travessia, mas desta vez, sem construção de personagens e na busca incessante de tecer uma cena orgânica e visceral que procura criar elos que enaltecem a ligação afetiva e intelectual entre a obra de Fernando Pessoa, os performer, os espectadores e a história da Casa Dirigível Espaço Cultural. 731 é o número da nossa casa e DOZE é uma referência aos 12 integrantes do coletivo, presentes na edificação desse espaço

 

SINOPSE

Esta é a mais recente produção do grupo e reflete a maturidade estética e política que alcançamos em nossa trajetória intensa de criação. A escolha de trabalhar com performance está relacionada à conquista de nosso espaço de trabalho, e como nos diz Bachelard  “(...) a casa é o lugar que abriga o devaneio e o sonho (...)”, então esse foi o momento precioso para realizarmos algo que ainda não tínhamos vivenciado, dessa vez, nem no palco, nem na rua, foi chegada a hora de se permitir a criar e experimentar outro espaço de encenação, detonar um big-bang em plena sala de estar, percorrer corredores, quartos, banheiros, subir, descer e rolar sobre a escada de nossa casa antiga, que para nós ainda é uma menina que acabou de despertar para puberdade.

 

Na obra “731 são Doze”, optamos por investigar as relações instaladas entre atores e espectadores dentro de uma perspectiva preconizada por autores como Adolphe Appia, que concebe a quebra total da quarta parede. Este, por sua vez, estrutura um pensamento de cena que ele nomina de sala catedral, criando um espaço de encenação que considera a todos, tanto atores quanto espectadores, como atuantes, ou seja, não existe aqui a ideia de que o espectador é um ente passivo e meramente contemplativo das ações físicas orquestradas pelos performer no momento do trabalho, o risco dessa relação instalada entre as partes é necessário para que se desenrole o enlace. Todos incorrem no risco de ser e estar dentro de uma obra que se cria e recria a todo instante, construindo diversas possibilidades de participação, de afinidades e de potencialidades entre os sujeitos, ou seja, esta performance não visa representar uma situação do mundo, nem a busca do pacto ficcional para com o espectador, o que se pretende aqui é recriar um novo universo, uma experiência una e excepcional entre as partes envolvidas, no sentido da não representação. A performance “731 são doze” se propôs a investigar e experimentar o devir e a poesia de Fernando Pessoa e seus heterônimos como principais indutores para a criação e experimentação dentro desta linguagem. Entendamos, portanto, a acepção que se tem aqui a respeito do devir, como um conceito ou teoria filosófica que está na contraposição de que o homem é um ser imutável. O devir é o motor de nossa transformação cotidiana, ele é o entre, está no vão das paragens.

O ESPETÁCULO

Direção: Luciano Lira

 

Performer: Ana Marceliano, Armando de Mendonça, Enoque Paulino, Maycon Douglas, Luciano Lira, Starllone Souza, Rodolpho Sanchez e Raissa Araújo.


Visualidade: Dirigível Coletivo de Teatro

 

Cenotécnica: Paula Nayara

 

Trilha sonora original: Armando de Mendonça

 

Canção original “Padre Prudêncio 731”: Thales Branche

 

Participações anteriores: Leonardo Bahia (performer, 2014 e 2015), Krishna Rohini (2014 e 2015)

 

Participação de performer convidados: Adhara Belo e Kayo Conká (2015)

 

FICHA TÉCNICA

731 SÃO DOZE

Telefone

(91) 98212-7668 /tim

(91) 3355-3861 /fixo

 

Casa Dirigível - espaço cultural

Tv. Padre Prudêncio, 731 - Campina

 

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